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A voz está a viver um novo momento. Mas a sua infraestrutura está preparada?

Quando se trata do atual panorama de fornecedores tecnológicos, o reconhecido analista tech Zeus Kerravala é categórico:

“Vai existir um prémio associado à capacidade de fornecer comunicações de voz altamente fiáveis e seguras. E isso não é uma competência que uma startup consiga simplesmente replicar de um dia para o outro.”

Esta observação é a consequência natural de uma mudança que se tem vindo a consolidar há anos, ao ponto de já não poder ser ignorada. A inteligência artificial tornou finalmente as interfaces de voz verdadeiramente eficazes: diferentes idiomas, sotaques variados e conversas naturais deixaram de ser obstáculos. Como resultado, os fluxos de trabalho empresariais estão a ser redesenhados em torno da voz como principal forma de interação.

No entanto, há um aspeto fundamental que muitas organizações ainda não reconhecem: a infraestrutura que suporta esta transformação é mais importante do que muitos fornecedores querem admitir.

A lacuna crítica da estratégia cloud-first

Durante grande parte da última década, a mensagem dominante da indústria das comunicações foi simples: mover tudo para a cloud, consolidar e simplificar. Era um argumento válido, para um determinado conjunto de circunstâncias.

Mas essas circunstâncias estão a mudar.

Os requisitos de soberania digital estão a aumentar em toda a Europa. Os setores regulados nos Estados Unidos estão a reforçar as exigências de governação de dados. E as empresas com presença global estão a descobrir que uma única arquitetura de cloud pública não consegue responder aos requisitos de conformidade de todas as jurisdições sem custos e complexidade significativos.

Kerravala destaca que até os maiores fornecedores exclusivamente focados na cloud estão agora a tentar criar instâncias de cloud soberana país a país — uma estratégia dispendiosa que apenas os maiores operadores conseguem sustentar e, mesmo assim, de forma incompleta.

Entretanto, a cloud privada já é uma realidade há vários anos para cargas de trabalho empresariais críticas fora da área das comunicações. O setor das comunicações apenas demorou mais tempo a acompanhar esta tendência. Mas essa diferença está agora a desaparecer, porque tem de desaparecer.

Híbrido: uma arquitetura deliberada

A ideia frequentemente utilizada para descrever as comunicações híbridas como “o melhor de dois mundos” acaba por minimizar o seu verdadeiro valor. Na realidade, trata-se de uma decisão arquitetónica deliberada para posicionar cada carga de trabalho onde esta apresenta melhor desempenho, garante maior conformidade e implica menores custos operacionais.

Para algumas organizações, isso significa manter a infraestrutura de voz mais próxima dos colaboradores, dos dados e dos requisitos de conformidade, através de soluções on-premises ou em cloud privada.

Para outras, significa adotar uma combinação cuidadosamente segmentada entre cloud e infraestruturas locais, de acordo com a geografia ou unidade de negócio.

O essencial é que esta decisão seja orientada pelas necessidades operacionais da organização e não pelas limitações do catálogo de produtos de um fornecedor.

A IA na edge está a redefinir o significado de proximidade

Após participar na edição de 2026 do Mobile World Congress, Kerravala identificou um sinal claro: fabricantes de semicondutores como AMD, Intel e Nvidia estão a direcionar investimentos significativos para inferência na edge.

A implicação é evidente. À medida que o desenvolvimento da IA nos centros de dados atinge uma fase de maior maturidade, a próxima vaga de criação de valor económico acontecerá na edge — onde os dados, a capacidade de processamento e os utilizadores convergem.

No universo das comunicações, esta evolução tem consequências diretas.

A voz em tempo real e as ferramentas de colaboração exigem baixa latência. Funcionalidades potenciadas por IA, como transcrição automática, tradução, sumarização e assistência em tempo real, apresentam melhores resultados quando o processamento acontece próximo do local onde a conversa está a decorrer.

Além disso, modelos linguísticos mais pequenos e especializados para setores específicos ou contextos empresariais concretos são mais fáceis de implementar e governar na edge do que grandes modelos generalistas executados em centros de dados centralizados.

É precisamente neste ponto que a infraestrutura de comunicações e a estratégia de IA convergem.

As organizações que mantiveram controlo rigoroso sobre os seus ambientes de comunicação — seja através de infraestruturas locais, cloud privada ou arquiteturas híbridas — encontram-se melhor posicionadas para implementar IA diretamente nos pontos de interação, mantendo os mecanismos de governação exigidos pelas equipas de conformidade.

A questão do ROI já não pode ser adiada

A adoção inicial da inteligência artificial foi impulsionada, em grande medida, pelo receio de ficar para trás. Conselhos de administração e equipas executivas receavam perder competitividade enquanto os concorrentes avançavam mais rapidamente.

Essa fase está a terminar.

A pergunta que os decisores colocam hoje já não é “estamos a utilizar IA?”, mas sim “que resultados obtivemos com ela?”.

Ou seja, o foco deixou de estar nas demonstrações tecnológicas para passar a centrar-se nos resultados comprovados. As conversas são agora sobre responsabilidade e retorno, não apenas sobre potencial.

Embora a fase experimental tenha proporcionado aprendizagens valiosas, as organizações precisam agora de evidências concretas.

Nas comunicações, isto traduz-se na necessidade de métricas claras:

  • As ferramentas assistidas por IA estão efetivamente a reduzir o tempo médio de atendimento nos contact centers? 
  • As funcionalidades de transcrição e sumarização estão realmente a ser utilizadas e a gerar ganhos de produtividade? 
  • As capacidades de IA estão a melhorar a resolução de problemas ao primeiro contacto ou apenas a acrescentar complexidade às interfaces? 

É por isso que a próxima fase da evolução da voz empresarial exige aplicações práticas em vez de promessas exageradas.

A abordagem da Mitel à IA aplicada às comunicações assenta precisamente em casos de utilização mensuráveis, como a sumarização automática, a assistência em tempo real e a automação de workflows.

Em suma: provas, não promessas.

Voz como interface: o que esta nova era realmente exige

Existe a tentação de encarar este renovado protagonismo da voz como uma tendência exclusivamente associada ao consumidor — colunas inteligentes, assistentes virtuais ou pesquisas por voz.

Mas as implicações para as empresas são igualmente relevantes.

Se a voz se tornar a principal interface de interação com aplicações, então a fiabilidade, a segurança e a qualidade da infraestrutura de voz passam a ser requisitos fundamentais para o negócio.

Uma chamada interrompida durante uma escalada de suporte ao cliente, uma experiência de áudio degradada numa negociação crítica ou um sistema de IA vocal que encaminha incorretamente uma interação devido à latência representam falhas operacionais reais.

As organizações que retiram maior valor da voz como interface são precisamente aquelas que investiram na infraestrutura de voz como um ativo estratégico.

Isso implica:

  • Redundância; 
  • Controlo da qualidade de serviço; 
  • Arquiteturas de segurança robustas; 
  • Capacidade de integrar a voz nos fluxos de trabalho onde as decisões efetivamente acontecem. 

E aqui aplica-se novamente a visão mais ampla de Kerravala.

O valor crescente atribuído a comunicações de voz seguras e fiáveis não espera que as organizações estejam preparadas. E não é possível ativar, de um momento para o outro, uma disciplina de infraestrutura que foi negligenciada durante anos em nome da comoditização da voz.

A janela para uma preparação estratégica é agora.

A narrativa cloud-first tem uma lacuna. Quer a sua organização a preencha através de cloud privada, infraestruturas on-premises ou uma arquitetura híbrida cuidadosamente desenhada, o importante é construir uma infraestrutura que responda verdadeiramente às suas necessidades. 

Informações imprensa

Para mais informações contactar EDC – Design e Comunicação

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