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Do White Board ao Workflow: o Ano em que a IA Empresarial Cresceu

2025 ficará para a história como o ano em que a Inteligência Artificial passou da fase de ideação e das primeiras implementações empresariais para o início da adoção generalizada. Foi o ano em que saiu do quadro branco das salas de reunião e entrou, de forma concreta, na engrenagem que faz as empresas funcionar. De repente, todos precisavam de auditorias de enviesamento e de ferramentas de compliance capazes de explicar o que a “caixa negra” estava realmente a fazer.

E embora seja verdade que funções de back-office como compras, planeamento e introdução de dados tenham registado ganhos reais, quando as empresas tentaram automatizar pontos de contacto com o cliente surgiram preocupações acrescidas com segurança, privacidade e residência dos dados, bem como desconexões latentes.

Tal como o mercado empresarial em geral tem vindo a responder a estes desafios através de estratégias híbridas multi-cloud e implementações edge, também os domínios de UC e CC refletiram esta mudança, dando prioridade a arquiteturas híbridas integradas, adaptadas aos perfis de risco, exigências de compliance e casos de uso específicos de cada área de negócio.

Isto está a redefinir a forma como as ferramentas de voz, vídeo e colaboração se integram em workflows orientados por IA. No entanto, mesmo com a IA a tornar-se mainstream no discurso dos fornecedores, muitas organizações empresariais continuam a ter dificuldade em perceber impactos positivos no negócio face ao investimento realizado.

A realidade é que a IA é uma tecnologia capacitadora, não uma nova categoria em si mesma. Os fornecedores que conseguirem ligar os pontos para os seus clientes — reforçando tudo, desde a aquisição de receita e eficiência operacional até à comunicação e colaboração internas e externas serão os que estarão verdadeiramente bem posicionados para desbloquear as possibilidades do futuro.

Porque é a Infraestrutura, e não os Modelos, que Vai Decidir o ROI da IA

Nos últimos dois anos, as empresas acumularam pilotos de IA: dezenas de modelos, casos de uso dispersos e zero tecido conector. O resultado tem sido frameworks de compliance que não escalam e experiências de cliente fragmentadas entre canais. O fator limitador já não é a IA em si como poderia ser há apenas um ano,  mas sim a infraestrutura que a sustenta.

As empresas com maior probabilidade de vencer em 2026 são aquelas que, hoje, estão a fazer apostas disciplinadas, em vez de perseguirem moonshots e uma proliferação de modelos. Vai muito além da discussão sobre poder computacional que domina todos os artigos sobre IA: trata-se de ligar a IA à governação, a dados limpos e controlados, e a workflows onde a intenção humana continua a ser crucial.

Por outras palavras, o próximo campo de batalha é a infraestrutura adaptável. Em ambientes de comunicações unificadas (UC), isto significa arquiteturas capazes de orquestrar IA entre chamadas, mensagens e contact centers, sem comprometer o compliance nem a experiência do cliente.

Que arquitetura consegue manter a IA em conformidade sem travar o crescimento global? O futuro está em arquiteturas híbridas integradas que oferecem o melhor de dois mundos: flexibilidade da cloud combinada com controlo local. Esta abordagem permite escalar globalmente sem sacrificar soberania ou compliance  evitando que a IA embata em muros regulatórios ou precipícios de segurança.

As UC e as comunicações avançadas, incluindo CX, são o epicentro desta abordagem híbrida, porque cada interação  interna ou com o cliente  depende de disponibilidade, velocidade e controlo total sobre os dados que entram e saem.

Mas 2026 não será sobre correr atrás da velocidade. Será sobre tomar decisões de modernização que equilibrem risco, economia e alinhamento estratégico. As empresas que veem a tecnologia como um mecanismo para executar a sua estratégia  e não como a bala de prata que define a estratégia  estarão melhor posicionadas para escalar IA sem arrependimentos.

O Mercado Já Está a Mover-se

O modelo híbrido já provou, há muito, o seu valor como facilitador de processos e plataformas empresariais críticas  desde logo na continuidade de negócio e recuperação de desastres. Com dados e aplicações, de ERP a operações orientadas por IA, distribuídos entre servidores locais, clouds privadas e clouds públicas, uma única falha deixa de ter o poder de derrubar tudo.

Agora, o mercado está a validar a curva de crescimento do híbrido no espaço das comunicações avançadas. Relatórios recentes posicionam fornecedores agnósticos em termos de deployment  capazes de entregar soluções em cloud, on-premise e híbridas como líderes do setor. As previsões mostram implementações híbridas de UC a crescer mais rapidamente do que alternativas exclusivamente cloud. E análises de CX identificam apenas um número reduzido de fornecedores capazes de ir ao encontro da realidade atual das empresas.

Reconhecimentos como prémios de Contact Center refletem precisamente o que acontece quando se constrói para restrições do mundo real, em vez de promessas feitas em salas de conferência.

A conclusão é clara: as empresas já não querem que lhes digam onde implementar. Querem infraestruturas que se adaptem à sua realidade.

Soberania como Estratégia

Então, como é que uma arquitetura híbrida disciplinada se materializa na prática?

Quando se pondera híbrido versus cloud pura ou on-premise, velocidade e custo já são conversas praticamente resolvidas. As conversas que hoje fazem avançar as missões empresariais centram-se na residência e soberania dos dados, nos limites físicos da velocidade da luz onde armazenar, como ligar APIs, como orquestrar entre jurisdições e como usar edge computing para manter workflows críticos locais, preservando inteligência global. Quando isto é bem feito, cria-se um sistema onde IA, compliance e experiência do cliente se reforçam mutuamente.

Implementações híbridas permitem aplicar políticas específicas por jurisdição e manter auditabilidade sem abrandar operações globais. Quando a soberania é desenhada nos workflows, os riscos da IA diminuem face ao seu potencial de gerar vantagem competitiva.

Pense-se num banco global: os dados de um cliente em Frankfurt têm de permanecer em Frankfurt, mas esse mesmo cliente espera deteção instantânea de fraude, esteja em Berlim ou Tóquio. A cloud pura gera conflitos de residência de dados; o on-premise puro dificulta a escala rápida dos modelos. O híbrido permite armazenamento local com inteligência federada a nível global.

Na saúde, o cenário é semelhante: workflows clínicos exigem processamento local por razões de privacidade e latência, enquanto a cloud suporta envolvimento do paciente potenciado por IA. Uma dependência excessiva da cloud pública introduz riscos sistémicos  basta pensar em grandes falhas de energia ou serviço. Capacidades edge integradas, aliadas a redundância energética e resiliência de infraestrutura, garantem continuidade quando mais importa.

Mas o híbrido só funciona com orquestração deliberada. APIs fragmentadas e integrações ad hoc criam zonas cegas que as equipas de compliance não conseguem auditar e que os líderes de CX não conseguem prever.

Por isso, a prioridade passa por desenhar estratégias de API que apliquem políticas no edge, mantendo interoperabilidade global  com autenticação normalizada, trilhos de auditoria e workflows capazes de explicar decisões quando os reguladores perguntam.

A orquestração é a camada de controlo que traduz a intenção empresarial — por exemplo, “manter dados europeus na Europa, mas permitir que o modelo global de fraude aprenda padrões” — em realidade técnica. Bem feita, transforma complexidade em vantagem competitiva.

Onde Compliance e CX Convergem

Cada decisão de compliance ecoa na experiência do cliente. Quando um operador europeu de telecomunicações moveu todos os workloads de IA para uma única região cloud nos EUA para reduzir custos, ganhou eficiência — e acrescentou 200 ms de latência a cada interação. Os clientes abandonaram sessões de chat. Seis meses depois, chegaram as multas.

Arquiteturas híbridas, pensadas para soberania e velocidade, evitam esta armadilha. Mantêm dados sensíveis locais e entregam personalização em tempo real a nível global. O resultado é uma experiência consistente e responsiva em todos os mercados, porque foi desenhada para o ser. Em UC, milissegundos contam  uma camada de IA mal arquitetada pode pôr vidas em risco na saúde ou em serviços de emergência.

Embora a cloud pública tenha prometido flexibilidade e poupança, a realidade tem sido diferente para muitas organizações. Hoje, cloud privada ou híbrida, à escala, é comercialmente competitiva por utilizador. Executar workloads de alto volume e baixo risco na cloud pública, manter operações sensíveis on-premise e escalar a camada intermédia conforme necessário cria uma estrutura financeira que suporta crescimento sem comprometer governação.

Construir IA em que se Pode Confiar

2026 marcará uma era em que as empresas passam a priorizar controlo, privacidade e segurança, relegando conveniência e UX para segundo plano.

O aumento da superfície de ataque em cibersegurança exige uma nova fronteira de UX, focada em segurança, resiliência e flexibilidade. Esta mudança será sentida a nível individual e organizacional. Com a entrada no mercado de trabalho de uma nova geração mais consciente da privacidade e da identidade digital, as empresas afastar-se-ão ainda mais da cultura do “sempre ligado”, promovendo conectividade mais intencional e controlada.

Esta evolução irá redefinir a forma como as pessoas se ligam através da tecnologia, colocando autenticidade, confiança, proteção da identidade e da propriedade intelectual e liberdade de escolha no centro das experiências preferidas. Em resposta, crescerá a procura por soluções baseadas em cloud privada e edge, aplicadas a sistemas financeiros, comunicações e IA.

A conclusão é clara: o sucesso das comunicações empresariais dependerá da capacidade de estar sempre ligado  de forma segura, seletiva e com propósito. Ou, dito de outra forma, as empresas vencedoras não serão as que tiverem mais IA, mas sim as que tiverem a IA mais disciplinada.

Isso implica definir caminhos de escalonamento quando a automação falha e validar continuamente datasets quanto a enviesamento e drift. Esta é a verdadeira base para escalar IA sem corroer a confiança. Quando governação e CX seguem o mesmo guião, a IA torna-se um acelerador controlável  e não um incêndio que se espera conter.

Se o seu roadmap de 2026 para comunicações e colaboração empresariais não inclui orquestração híbrida e controlos de soberania, está a apostar na esperança, não na estratégia. Para líderes de comunicações, é por isso que a IA disciplinada é o alicerce da confiança em cada conversa empresarial.

Eric Hanson
Chief Marketing Officer , da MITEL

Informações imprensa

Para mais informações contactar EDC – Design e Comunicação

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