Neste momento, a corrida à implementação eficaz da inteligência artificial à escala empresarial favorece apenas algumas organizações. Ainda assim, seria exagerado afirmar que quem não faz parte desse grupo ficou para trás.
Na realidade, as empresas que estão a implementar IA com sucesso estão, acima de tudo, a ser prudentes. Perceber a diferença entre estar atrasado e avançar de forma deliberada altera completamente a forma como se planeia o futuro.
Recentemente, o CMO da Mitel, Eric Hanson, esteve à conversa com Jim Lundy. O resultado foi uma análise pragmática — e, por vezes, contrária à narrativa dominante — sobre o verdadeiro estado da inteligência artificial nas organizações.
A IA é real. A adoção generalizada ainda não.
Para a maioria das empresas, 2026 continua a ser um ano de preparação de bases. Um bom ponto de partida passa, simplesmente, por garantir que os fundamentos estão assegurados.
A substituição de ferramentas de IA destinadas ao consumidor por versões empresariais licenciadas é, por exemplo, um passo que muitas organizações ainda não deram, apesar dos riscos reais associados à conformidade, privacidade e indexação de dados.
Para além dos aspetos básicos, o cenário é bastante desigual.
Como refere Lundy:
“Não se pode acreditar cegamente naquilo que os influenciadores e os hyperscalers dizem, porque simplesmente não é isso que está a acontecer.”
A chamada IA agentic, sistemas capazes de executar ações autónomas ao longo de diferentes workflows, continua numa fase inicial para a maioria das empresas. Os principais obstáculos continuam a ser lacunas na governação, preocupações com a fiabilidade e a escassez de parceiros com experiência comprovada em implementação.
As organizações que já conseguiram escalar projetos mais avançados de IA são, regra geral, grandes empresas com recursos dedicados à experimentação, governação e melhoria contínua.
Segundo as previsões de Lundy, o impacto significativo da IA na produtividade deverá acontecer entre 2027 e 2031. Isto significa que ainda existe tempo para construir de forma sustentada e estratégica.
As empresas que, desde já, apostarem em fornecedores de confiança, definirem políticas de governação e realizarem projetos-piloto em ambientes controlados estarão melhor posicionadas para acelerar quando a infraestrutura tecnológica atingir um novo nível de maturidade.
Quem optar por esperar poderá ter mais dificuldade em recuperar terreno.
E isso acontece porque construir bem implica, inevitavelmente, repensar a infraestrutura que suporta toda esta evolução.
O híbrido é uma estratégia, não um compromisso
Durante vários anos, a infraestrutura híbrida foi encarada como uma solução intermédia para empresas que ainda não estavam preparadas para migrar totalmente para a cloud.
Hoje, essa perspetiva está desatualizada.
Como afirma Lundy:
“A era do SaaS está a entrar na sua fase de maturidade.”
Esta mudança é impulsionada por várias realidades tecnológicas:
- Proximidade: o processamento de IA funciona melhor quando está mais próximo dos dados.
- Conformidade: os requisitos de soberania e residência dos dados estão a tornar-se mais exigentes.
- Economia: executar cargas de trabalho de IA exclusivamente em grandes fornecedores de cloud pública torna-se dispendioso à escala.
- Flexibilidade: a dependência excessiva de um único fornecedor cria limitações arquitetónicas difíceis de ultrapassar ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, o custo de executar cargas de trabalho de IA em centros de dados locais continua a diminuir. Não é por acaso que os principais hyperscalers estão a investir fortemente em soluções edge.
No universo das comunicações empresariais, onde latência, disponibilidade e residência dos dados são fatores críticos, esta mudança tem implicações arquitetónicas muito concretas.
É precisamente por isso que a Mitel tem vindo a desenvolver uma estratégia baseada em ambientes privados geridos, complementados por serviços cloud selecionados. As comunicações empresariais exigem infraestruturas capazes de ser configuradas, governadas e protegidas de acordo com as necessidades específicas de cada organização.
A segurança das comunicações continua subvalorizada
A segurança continua a ser um dos aspetos menos valorizados pelas organizações.
Quando foi a última vez que a equipa de IT analisou quantos saltos de rede uma chamada percorre entre a origem e o destino?
Segundo Lundy, se esse número ultrapassar três, existe um risco significativo a considerar. O problema é que muitas empresas simplesmente não colocam esta questão.
Os princípios fundamentais continuam longe de ser universais:
- cópias de segurança dos dispositivos;
- autenticação forte;
- utilização de ferramentas empresariais licenciadas;
- escolha de fornecedores com certificações e credenciais adequadas.
A superfície de ataque das comunicações empresariais é maior do que muitas equipas de IT estimam e continua a crescer.
Para organizações que operam em setores regulados ou em infraestruturas críticas, as consequências podem ser particularmente graves.
Um hospital não pode simplesmente parar.
Um banco mede o tempo de indisponibilidade aceitável em segundos.
Nestes contextos, a redundância deixa de ser uma opção e passa a ser um requisito de desenho da arquitetura tecnológica. Isso implica compreender a arquitetura dos fornecedores, os níveis de serviço contratados e perceber se o tráfego de comunicações poderá ser despriorizado em momentos de elevada procura.
São precisamente estas questões que tendem a ter respostas diferentes quando se trabalha com parceiros experientes em ambientes de elevada disponibilidade e elevada exigência regulatória.
Como serão realmente os próximos dois anos?
Para Lundy, os próximos anos serão dominados por dois conceitos: orquestração e automação estruturada de tarefas repetitivas — aquelas atividades que historicamente ocupam entre 20% e 30% do tempo dos profissionais do conhecimento.
Como resume:
“Grande parte da IA é automação. Não é inteligência.”
Esta mudança de perspetiva é importante porque influencia decisões de compra, implementação e definição de expectativas.
As organizações que avaliarem soluções de IA com uma pergunta simples — “esta tecnologia consegue automatizar esta tarefa de forma fiável e com níveis aceitáveis de precisão?” — tomarão decisões mais acertadas do que aquelas que procuram visões demasiado ambiciosas ou pouco concretas.
Os ganhos de produtividade existem e são reais.
Mas tendem a ser mais incrementais, mais seletivos e muito mais dependentes da qualidade da implementação do que a narrativa dominante frequentemente sugere.
Para os líderes de IT, os casos de utilização com retorno mais imediato são claros:
- assistência ao agente em ambientes de contact center;
- automação low-code de processos repetitivos e bem definidos;
- consolidação da infraestrutura para aproximar as cargas de IA dos dados organizacionais.
As organizações que mais beneficiarão da IA não serão necessariamente as que avançarem primeiro
As empresas que irão capturar maior valor da inteligência artificial nos próximos anos não serão obrigatoriamente aquelas que hoje se movem mais depressa.
Serão aquelas que construírem sobre bases sólidas:
- fornecedores de confiança;
- modelos robustos de governação;
- infraestruturas que efetivamente controlam.
Porque, no final, a próxima vaga de inovação em IA dependerá menos da velocidade de adoção e mais da qualidade das fundações tecnológicas que a suportam.
A construção de uma base resiliente para a próxima vaga de IA começa com a sua infraestrutura de comunicações subjacente. Descubra como as soluções híbridas da Mitel equilibram segurança, controlo e inovação, ou contacte a nossa equipa hoje mesmo para planear a sua transição.


